sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Contagem descrescente...



... para me devolveres o meu sorriso mais genuíno.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

domingo, 13 de outubro de 2013

"És o meu Poema" (*)

A minha mulher que eu amo é nota vinte na Escala de Musa. E nota vinte na Escala de Tusa também. Tem tanto de deusa como de fracasso, tanto de santa como de puta. A minha mulher que eu amo não é a mulher mais bonita do mundo e é por isso que é a mulher mais bonita do mundo. Não diz sempre as palavras certas, não procede sempre da melhor maneira, nem sequer é infalível quando se propõe fazer algo e é menos de metade do que aquilo que queria ser. E ainda assim nunca deixou de me dar as palavras necessárias a cada momento, os actos que eu preciso quando eu preciso deles, e atingir o destino que ambos queríamos atingir. A minha mulher que eu amo tem tanto de céu como de inferno, tanto de branco como de preto, tanto de noite como de luz. Farto-me dela porque só ela me farta, só ela me enche e preenche, só ela me faz sentir-me inteiro quando me falta tudo e só tenho a ela. Fode e faz amor comigo, grita, chora e geme com a mesma verdade. Zanga-se, atira-me com coisas ou pensa que atira só para se sentir melhor, não tem medo de mostrar o que lhe dói nem tem medo de mostrar o que a deixa eufórica. É tão pessoa como eu, tão actriz como eu sou actor, quando às vezes sentimos que o mundo pode cair e depois nos colamos um ao outro, e colamos, tijolo a tijolo, o que há para colar, e o mundo continua a rodar, sabendo que basta estarmos juntos para nada impedir o nosso caminho. A minha mulher que eu amo tem ciúmes e não os esconde, tem vontade de partir a cara a umas quantas, o secreto desejo de que mais ninguém me veja, para que só ela me possa ver. E eu tenho os mesmos ciúmes, a mesma vontade de esmagar de pancada quem simplesmente a olha e gosta, o nada secreto desejo de a guardar só para mim, fechada no nosso cantinho de para sempre. Mas depois o mundo chega e até nós gostamos. Gostamos de descobrir que a água do mar é fria demais mesmo quando é quente, que quando o frio aperta somos mesmo um corpo unido por quatro braços, que conseguimos rir até das pequenas desgraças das nossas diferenças. Debatemos ainda de qual de nós os gatos gostam mais, fazemos apostas que invariavelmente e incompetentemente perco e me fazem estranhamente sentir-me vencedor por dentro do sorriso dela. A minha mulher que eu amo tem a pele absoluta, o corpo derradeiro. Tem tanto de pecado como de remissão. É a minha musa e a minha tusa, o poema total e o orgasmo pleno. Tem tanto de independente como de precisada. Tanto de forte como de frágil. Tanto de morte como de vida. Tanto de alicerces como de terramoto. Tanto de fera como de presa, assassina feroz e pobre vítima. Gosta que a amem, simplesmente, de sentir-se amada por quem fatalmente ama. Sou dela, como nunca de ninguém. Teu, sim. Vem.

(*) Pedro Chagas Freitas

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fala-me da saudade.

Cheguei ao ponto do desespero: não há dia que passe que não imagine o nosso reencontro e ainda o tempo vai a meio.
Quero uma coisa de filme mas ainda tardo a decidir o ritmo: deverei lançar-me a ti qual leoa esfomeada, ou esperar pelo beijo, deixar que tenhas tempo de me fazer tremer as pernas (tal qual como no primeiro)?
Ainda me restam tantos dias para ver esse momento realizado e já penso na lingerie que usarei, na t-shirt que vestirei - porque apesar de seres o meu sweet November, a minha cabeça não equaciona ainda vestimentas de inverno -, se devo ou não usar maquilhagem - talvez só um pouquinho de rímel.
Tantos dias para pensar sobre isto, nem o novo trabalho me distrai...
 
 
 «I want to moan and writhe with you and I want to go up to you and kiss your mouth and pull you to me and say ‘I love you I love you I love you’ while stripping. 
 I want you so bad it stings.»

Bret Easton Ellis
(citado no filme "As regras da atracção")

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

This is... 'Transatlanticism'!

The Atlantic was born today, and I'll tell you how
The clouds above opened up and let it out

I was standing on the surface of a perforated sphere...

When the water filled every hole
And thousands upon thousands made an ocean
Making islands where no island should go
Oh no

Most people were overjoyed; they took to their boats
I thought it less like a lake and more like a moat
The rhythm of my footsteps crossing floodlands to your door
Have been silenced forever more
The distance is quite simply much too far for me to row
It seems farther than ever before
Oh no

I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer

I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer
I need you so much closer

So come on, come on
So come on, come on
So come on, come on
So come on, come on
 
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

'Declaração de Amor'

Quem é que tem a sorte de ter um amor dele ou dela que ama ou que tem, seja amado ou amada? Tenho eu e conheço muitas pessoas que já têm ou que vão ter. Mas, tal como todos os outros apaixonados e todas as outras apaixonadas, desconfio, com calor na alma, que ninguém tem o amor que eu tenho pela Maria João, meu amor, minha mulher, minha salvação.
O amor sai caro - medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro - mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: "Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?"...

Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre. Que nada melhore. Que não tenhamos mais sorte do que já temos. Que nada mude nunca, a não ser quando mudamos juntos. E que fiquemos sempre não só com o que temos mas um com o outro.
É este o tempo que eu quero que dure, tu és o amor que eu tenho. Nunca te demores quando estás longe de mim, tem sempre cuidado, trata-te nas palminhas, que, cada vez que olho para ti, o meu coração cresce e eu amo-te cada vez mais.

MEC in 'Jornal Público' (14 Fevereiro 2013)
 
O negrito é meu. Sempre que me denominarem de dramática, de colocar tudo em causa rapidamente... lembrarei sempre o bom que é viver neste terror!